quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Dia da Marmota

Já viu o filme do Dia da Marmota com o Bill Murray? As vezes me sinto exatamente assim, no dia da Marmota, vivendo o mesmo dia todos os dias.

DESPERTA - CARETA NO ESPELHO - ESCOVA OS DENTES - LAVA O ROSTO - CAFÉ - CORRE PRA PEGAR O BUSÃO - JORNAL -TRABALHO - ALMOÇO COM AS AMIGAS - TRABALHO - REUNIÃO - MAIS CAFÉ - TRÂNSITO - ACADEMIA - CASA - CACHORRO - BANHO - ESCOVA OS DENTES - MEDITA- LEMBRA - LÊ - DORME COM O LIVRO NA CARA - SONHA - ZZzzz

Andando sozinha entre um hífen e outro, me pergunto sobre qual o sentido disso tudo.
Logo eu, nessa ordinária jornada à espera do dia 30 e da aclamada sexta-feira para realizar quem realmente sou.


Dizem que é positivo a tal da ordem, da organização, o caos que acontece por dentro que se dane afinal é impossível mantermos os sentimentos guardados em ordem alfabética, arquivar tristezas e planilhar dúvidas.
Às vezes o caos se espalha de tal forma que dormir fica difícil, ele sobe à exosfera da pele e da consciência. Insônia, o nome disso.
O palpite, já que a conclusão ainda está bem longe, é que esse comichão e a necessidade de mudar, é o motor que nos move para a direção certa (ou errada, não importa). Todos os dias, o universo nos mostra um holograma de nossas vidas, muito parecido com o dia anterior, pessoas que vemos todos os dias, ações que executamos mas em meio ao cotidiano é importante não perder a fração de segundos que bate o estalo da mudança.

A rotina é necessária, o descontentamento também. 








sexta-feira, 19 de julho de 2013

As tuas canções

“Sentada em minha cama, de pernas cruzadas, cabelos soltos e vestida de certezas. Eu de frente para o medo, jogado trêmulo em uma cadeira, abrindo os pulmões para a vida ao passo que montava acordes com meus dedos inexatos, covardes, temerosos. Cantava com a força da vida na tentativa de entregar a vida às mãos daquela menina de postura tentadora que eu nunca vira em mulher alguma. Não sei precisar se ela sorria para mim ou ria de meus erros, de meus vacilos e tropeços.” E.N



Era um caminho longo mas a ansiedade em te ver preenchia cada minuto da jornada entre a minha casa até a sua. O seu abraço apertado me saudava junto com alguma brincadeira sobre a minha saia.

Chegávamos em sua casa, me sentava em sua cama, brincava com o seu violão e de repente tudo lá fora perdia o sentido de existir, era bem-vindo apenas o sol que invadia a sua janela fazendo um contraste com o azul de suas paredes enquanto nosso amor acontecia.

Tinha gosto de bis e guaraná e era pra sempre naquele momento. 
Sua voz atravessava minha pele e me preenchia. Nosso relacionamento não tinha nome, status, ou motivo. “Sou um sentimento sem nome”, você dizia.
Tinha som, forma, barba mal feita e olhos castanhos. Não tinha nome porque título nenhum poderia definir.

Enquanto você dedilhava músicas, eu sorria de felicidade.

Então o dia passava...sonhos contados, recados nas paredes, mãos-bobas e livros pelo chão, após muitas discussões sobre música e temas do vestibular, você me deixava na plataforma de ônibus e as nossas despedidas eram sempre num tom de “adeus e nunca mais”, nosso universo azul era deixado, nosso amor também. Fora de lá éramos quase que desconhecidos. 
Antes de ir, sentia o seu olhar me acompanhar do outro lado da rua e poderia jurar que ouvia você dizer baixinho: Volta...

O ônibus sempre chegava e eu me ia deixando meu o coração com você e levando o seu comigo.

Pensava sobre a resposta do seu pedido: Eu volt, e do nosso mundo não vou mais dizer adeus mas até lá ficarei com as suas canções gravadas em mim. Canções essas que me acompanham até hoje, conversam comigo, me entendem e me confortam em dias frios e de desesperança.

O nome disso? Não tenho certeza, mas gosto de chamar de primeiro amor.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Chove Carnaval


Naquele carnaval, pois, pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma.Clarice Lispector



Olhos atentos para o céu, vem chuva para lavar as nossas almas. O prelúdio anuncia a chegada do exército de foliões armados de amor, é marchinha de carnaval passando pela rua!
O perfume se lança em um rosa-algodão-doce que se espalha pela cidade, sorriso vem fácil e nos fantasiamos de nós mesmos.
Carnaval é a mentira que desnuda a alma e liberta nosso heterônimo mais alegre, mais malandro, mais desprendido.

Desprendido do chão, dos preconceitos, do que é perfeito.
É o açaí que queima a língua, o colorido do céu, é nunca deixar de ser criança. A pausa do ano para gritar, chorar e tomar banho de chuva, aquela chuva densa que leva embora os seus males e que cura dores da alma.

Tempo de retomar o que realmente importa, ser essência entre a multidão, festejar a existência, ser o abraço sincero, mergulhar no intervalo entre o começo e o fim. É brincar feito criança que foi deixada sozinha em casa.

Que o ano passe feito ciranda para voltar Fevereiro.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Começo, meio e enfim...fim.


En começo,
Nunca consegui disfarçar minha felicidade ao ver você sentado no banco da praça, me esperando depois de atravessar a cidade.
Se consegui, me perdoe, o meu ego deve ter camuflado a cada passo que dava em sua direção. A verdade, digo aqui, é que meu coração galopava até você.


En meio,
Tão diferentes e tão iguais. Gostávamos de coisas que a maioria das pessoas nunca tinham ouvido falar, conversas e risadas sinceras.
Até mesmo no silêncio conseguíamos encontrar similaridades, sem nenhum sinal de desconforto. 
Eu te amava


En fim,
Em alguma dimensão atemporal ainda estamos juntos.
Deitados na cama falando sobre a vida, sobre nossos planos, nossos segredos. Os beijos nas costas, caixinha de música, sua mão sempre quentinha e aquele seu olhar que me dizia tudo que eu precisava saber.
O fim parece triste mas só consigo sorrir ao me lembrar de tudo isso.
Aprendi muito.
Espero que você seja feliz e tenha muitos amores e que um deles não tenha fim como teve o nosso.



Agora sim, fim.