Naquele carnaval, pois, pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma.Clarice Lispector
Olhos atentos para o céu, vem chuva para lavar as nossas almas.
O prelúdio anuncia a chegada do exército de foliões armados de amor, é
marchinha de carnaval passando pela rua!
O perfume se lança em um rosa-algodão-doce que se espalha
pela cidade, sorriso vem fácil e nos fantasiamos de nós mesmos.
Carnaval é a mentira que desnuda a alma e liberta nosso heterônimo mais alegre, mais malandro, mais desprendido.
Desprendido do chão, dos preconceitos, do que é perfeito.
É o açaí que queima a língua, o colorido do céu, é nunca deixar de ser criança. A pausa do ano para gritar, chorar e tomar banho de chuva, aquela chuva densa que leva embora os seus males e que cura dores da alma.
Tempo de retomar o que realmente importa, ser essência entre
a multidão, festejar a existência, ser o abraço sincero, mergulhar no intervalo
entre o começo e o fim. É brincar feito criança que foi deixada sozinha em
casa.
Que o ano passe feito ciranda para voltar Fevereiro.
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