“Sentada
em minha cama, de pernas cruzadas, cabelos soltos e vestida de certezas. Eu de
frente para o medo, jogado trêmulo em uma cadeira, abrindo os pulmões para a
vida ao passo que montava acordes com meus dedos inexatos, covardes, temerosos.
Cantava com a força da vida na tentativa de entregar a vida às mãos daquela
menina de postura tentadora que eu nunca vira em mulher alguma. Não sei
precisar se ela sorria para mim ou ria de meus erros, de meus vacilos e
tropeços.” E.N
Era um caminho longo mas a
ansiedade em te ver preenchia cada minuto da jornada entre a minha casa até a
sua. O seu abraço apertado me saudava junto com alguma brincadeira sobre a minha saia.
Chegávamos em sua casa, me sentava em sua cama, brincava com o seu
violão e de repente tudo lá fora perdia o sentido de existir, era bem-vindo apenas o sol
que invadia a sua janela fazendo um contraste com o azul de suas paredes enquanto nosso amor acontecia.
Tinha gosto de bis e guaraná e era pra sempre naquele
momento.
Sua voz atravessava minha pele e me preenchia. Nosso relacionamento não tinha nome, status, ou motivo. “Sou um sentimento sem nome”, você dizia.
Sua voz atravessava minha pele e me preenchia. Nosso relacionamento não tinha nome, status, ou motivo. “Sou um sentimento sem nome”, você dizia.
Tinha som, forma, barba mal feita e olhos
castanhos. Não tinha nome porque título nenhum poderia definir.
Enquanto você dedilhava músicas, eu sorria de felicidade.
Então o dia passava...sonhos contados, recados nas paredes, mãos-bobas e livros pelo chão, após muitas discussões sobre música e temas do vestibular, você me deixava na plataforma de ônibus e as nossas despedidas eram
sempre num tom de “adeus e nunca mais”, nosso universo azul era deixado, nosso amor
também. Fora de lá éramos quase que desconhecidos.
Antes de ir, sentia o seu olhar me acompanhar do outro lado da rua e poderia jurar que ouvia você dizer baixinho: Volta...
Antes de ir, sentia o seu olhar me acompanhar do outro lado da rua e poderia jurar que ouvia você dizer baixinho: Volta...
O ônibus sempre chegava e eu me ia deixando meu o coração
com você e levando o seu comigo.
Pensava sobre a resposta do seu pedido: Eu volt, e do nosso mundo não vou
mais dizer adeus mas até lá ficarei com as suas canções gravadas em mim. Canções
essas que me acompanham até hoje, conversam comigo, me entendem e me confortam
em dias frios e de desesperança.
O nome disso? Não tenho certeza, mas gosto de chamar de primeiro amor.
onde te acho?
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